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:: COLUNA :: WALKMAN NO ELEVADOR ::
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      Discutir sobre música é quase sempre cair em polêmica. Isso é bom, aquilo é ruim, isso é moderno, aquilo é batido, isso é alternativo, aquilo é comercial... as opiniões sempre vão divergir, ainda mais nos dias de hoje em que os estilos musicais são praticamente infinitos. Novos artistas surgem fazendo sons revolucionários, unindo estilos antagônicos sem nenhum pudor, como se estivessem brincando de fazer música. O eletrônico encontrou o rock, que encontrou o rap, que encontrou clássico que encontrou o rock e assim por diante numa escala que parece não ter fim. O movimento "alternativo" vem tomando cada vez mais força entre o público jovem, não só no Rio e no Brasil, mas no mundo todo. Aversas a isso, as gravadoras continuam investindo em seus velhos "produtos de massa", bandas descartáveis que vendem bastante em um curto espaço de tempo. Nesse ponto eu levanto a seguinte questão:
O QUE É BOM E O QUE É RUIM, NOS DIAS DE HOJE? Bom prá quê, prá dançar? Prá ouvir? Prá refletir, chorar... não importa para o que seja, no meio desse samba do crioulo doido, dessa miscelânea musical, é humanamente impossível conhecer de tudo para poder dizer o que é bom e o que é ruim, apesar de muita gente achar que pode. Tudo é baseado em gostos e eles variam de um para o outro. São memórias, momentos, pessoas... é um direito de cada um. Foi por isso tudo que surgiu a idéia de fazer essa coluna, um lugar aberto para todas as vertentes musicais. Dessa "comunhão utópica" do alternativo com o comercial veio o nome "Walkman no Elevador". No seu walkman você carrega a síntese do seu gosto musical. Alí vai o básico, o que você mais gosta de ouvir. Já no elevador, pressupõe-se que esteva tocando as clássicas "músicas para tocar em elevador", do sábio dito popular. Supondo que no seu walkman toque música alternativa, ao entrar com ele no elevador, sem querer o "alternativo" e o "comercial" estão no mesmo espaço físico. Apesar disso, eles não se encontram, pois os fones te impedem de ouvir o lado de fora e o lado de fora não ouve o meu walkman por causa dos mesmos malditos fones. É uma metáfora da realidade. Mesmo no espaço minúsculo do elevador, as duas vertentes não se encontram. Vamos abrir as nossas cabeças para a música, não importa qual ela seja. Há coisas boas e ruins em todas as vertentes, só temos que aprender a ouvi-las e, depois disso, gostar ou não. Aí vai de cada um. O mais importante é criar uma barreira contra a influencia alheia e ter uma opinião própria, ter personalidade para assumir um compromisso com o seu gosto musical. O importante é apurá-lo sempre e isso só é possível quando se escuta de tudo. Portando leve seu walkman para a rua e, quando entrar num elevador, coloque-o no ouvido do cara ao lado. Quem sabe ele não acaba gostando do seu Beastie Boys e você de Zeca Pagodinho.


Fernando Kallás
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