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Há
quem diga que não é supersticioso. Ahan. Acredito. Brasileiro
é supersticioso sim e muito, não é pouco não. Quer fazer um teste?
Você, belo e fresco, está no trânsito, dentro do seu carro. Olhe
para os lados. Agora, conte, durante todo o seu percurso urbano,
quantos carros têm fitinhas do Senhor do Bonfim amarradas
no espelho. Com certeza, você ainda poderá ver aqueles que parecem
devotos fiéis do santo, porque carregam não uma ou duas e sim, váaaaarias
e de todas as cores!
Fora esses seguidores do Senhor do
Bonfim (aliás, nem sei como é a representação do mesmo), há os que
carregam figas. Figas enormes. Ou guias do candomblé. Há
os que põem aqueles ímãs no painel (saca aquele taxista?) ou ficam
tranqüilos com um singelo pé-de-coelho. Desde quando ter
um pé de algum animal traz sorte para alguém? Bom, pro bichinho
que não trouxe. Além de todos esses apetrechos, ainda há os adesivos
estilo igreja universal, azuis com letras brancas, onde aparecem
escritas coisas do tipo: Deus é tudo, Deus é amor, Tudo posso naquele
que me fortalece... e quando teve a moda dos dois adesivos: de um
lado do carro, Jesus Cristo, do outro, Nossa Senhora (???). Sem
falar nos que vêm frases do estilo: "Sai Olho Gordo!" ou "Xô, inveja!"...
Jesus, Maria, José, sem comentários....
Aí, sabe-se lá como, aparece no pescoço
de todo mundo o escapulário - o nome já é difícil de falar, complicado
de decorar e a parada é digamos...anti-estética! O cara tira a blusa
e lá está o es-ca-pu-lá-ri-o: dois quadradinho com imagens de santos,
presos por um barbante! Um absurdo! Não há fé que console... E atire
a primeira fitinha do Senhor do Bonfim quem não carrega a oração
de Santo Expedito na carteira, querendo solucionar suas causas impossíveis.
Como um fenômeno divino, a oração se espalhou em bares, lojas, supermercados,
padarias, por todos os lugares.
Além de toda essa invasão de santos
baianos, pedaços de animais e barbantes, temos os patuás zen:
moedas chinesas, tambores japoneses, sinos indianos... depois de
toda essa salada, fico imaginando que nos falta um símbolo de superstição
genuinamente carioca. Será que a próxima moda vai ser pendurar
um Cristo Redentor no espelho? Isola...
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