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Enquanto
você está em frente ao espelho, pondo seu biquíni, nem passa pela
sua (no momento nenhum pouco fértil) imaginação como surgiram essas
duas peças. Eu, por exemplo, nunca tinha parado para pensar nisso
até um dia em que me indagava sobre coisas sem pé nem cabeça do tipo
"quem pôs o nome de mesa na mesa?". Então, fui procurar um livro que
me desse informações e descobri que por trás de duas peças existe
uma grande história.
As roupas de banho, acreditem ou não,
já foram de lã. Sim, aquele tecido famoso por ser usado em casacos
de inverno. Morra de rir: tudo para que o banhista não pegasse um
resfriado depois de cair em gélidas águas. E não pára por aí... ainda
por cima, os trajes incluíam, para as mulheres, toucas e, para ambos
os sexos, sapatos (tamancos ou botinas). Tendo em vista que essas
coisas ridículas eram usadas entre 1800 e pouco fica mais fácil de
perdoar... Em 1846 surgiu o calção, peça considerada justa e ousada,
que acreditava-se, daria maior liberdade de movimentos aos nadadores.
No começo do século XX, a "ousadia"
se limitava somente aos atletas, que podiam (ó!!!) mostrar braços
e pernas. Já as mulheres, ridiculamente, cobriam o rosto com véus
para não se queimarem - o bronzeado era associado a escravas e índias.
Em 1910, surgia a roupa-bóia (tente visualizar e a diversão
será garantida): baseada num uniforme de então, consistia em uma veste
larga e uma calça com uma câmara de ar embutida na bainha. A invenção
veio do Brasil e, graças a Deus, não vingou. Até porque, apesar de
ter surgido para dar segurança aos banhistas que não se aventuravam
a dar braçadas ainda que amadoras, apareceu numa época onde já se
queria mostrar o corpo.
As guerras e os concursos de Miss
Com a primeira guerra, as mulheres se
libertaram dos espartilhos (que serviram de inspiração para os trajes
de banho) e das anáguas. E na segunda guerra, surgia o maiô de
nylon, que afinava a cintura, realçava os quadris e ajustava-se
melhor ao corpo, devido a um franzido interno. Mas uma roupa de banho
feita deste tecido era privilégio das mais abastadas (era cara e geralmente
feita sob medida), como as pin ups ou atrizes de Hollywood.
Nos anos 50, eram os concursos de Miss
que apresentavam as tendências do verão. Os maiôs das beldades (cujas
medidas eram 90-60-90 e tornozelo 21) eram escuros e feitos de Helanca
(aquela malha grossa das roupas que usávamos para fazer educação física,
lembra?). A lã, finalmente, perdeu terreno.
Em 1946, um pouco antes da euforia dos
concursos de Miss, o biquíni foi inventado, pelo estilista Louis Réard.
A invenção foi batizada com este nome, porque Louis acreditava que
o efeito seria tão explosivo quanto a bomba nuclear (na época em teste
no atol de Bikini, no sul do Pacífico). Acertou. Brigitte Bardot
foi uma das primeiras adeptas do modelo, que somente só foi virar
item básico nos anos 70.
A evolução - do maiô ao biquíni
Nos anos 60, o jogo revela/esconde começou
a conquistar garotas de praia. O engana-mamãe, (que quer, mas
não consegue voltar) ganhou as areias. Enquanto de frente, parecia
um maiô inteiro, a lateral era aberta, o que fazia o maiô parecer
de costas um biquíni. Detalhe: no bumbum havia um fecho-éclair.
No Rio, Zilda Maria Costa resolver reduzir
seu biquíni, puxando-o para a cintura, enrolando onde podia. Assim
foi criada a tanga, que trouxe para o Brasil a fama de criador
da moda-praia. Em meio a muita maconha, esteiras, adeptos do Jacaré,
palmas para o pôr-do-sol e pentelhos ao léu, as tangas tomavam conta
da praia. Quem nunca viu a clássica foto de Fernando Gabeira à la
Tarzan?
E enfim, a lycra! Criado pela indústria
química Dupont, o tecido que gruda ao corpo ganhou a preferência de
todos os fabricantes de moda-praia e de todos os freqüentadores da
praia. Nos anos 80, moldavam o corpo nos modelos asa-delta,
de cavas pronunciadas. Muitas vezes esses biquínis (que cá entre nós,
não é dos mais propícios ao corpo brasileiro) tinham estampas florais
e abstratas, hibiscos havaianos e debruns. A saída de praia passava
do camisão social ou camisetão, para a canga de tear. No final da
década (hoje considerada breguérrima), aparecia o fio-dental
(sem comentários)....Os surfistas já contavam com o neoprene e os
homens usavam sunga.
Depois de tantas mudanças, ainda continuamos
fazendo a história do biquíni. Apesar do lacinho-e-cortininha
ainda ser o preferido, a praia tornou-se um espaço democrático: vale
desde o meia-taça e tomara-que-caia até o sungão e a
calcinha com tiras fininhas. Estampados ou lisos, dividem as praias
como os maiôs e os sungões-de-três-dedos usados pelos rapazes
que não querem pagar o mico de usar aquelas sungas paga-popinha dos
anos 80. Os tecidos também podem ser os mais variados - laise, algodão,
crochê - em 99% das vezes aliados à lycra, porque tudo bem que biquíni
foi inventado há mais de cinqüenta anos, mas fundo de areia é coisa
do século passado! |
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